No dia 10 de Junho celebramos o nosso Dia Nacional, que dedicamos a Luis Vaz de Camões – cultor máximo da nossa língua portuguesa – e às Comunidades Portuguesas, aos milhões de portugueses espalhados pelo mundo, nesta nossa diáspora lusa.

Este ano, depois dos conturbados anos de 2020 e 2021, marcados pela pandemia de Covid-19 que não deixou nenhuma família intocada e que colocou à prova a resiliência, a resistência, a paciência e a humanidade de cada um de nós, retomamos o semblante possível de normalidade. Fazemo-lo sob o espectro conturbado de uma guerra na Europa – que uniu a Europa em torno dos ideais de paz e democracia.

Para mim, em particular, este ano é especial. Trata-se do primeiro, desde que iniciei a minha missão em Cabo Verde, em que poderemos partilhar em conjunto e celebrar a nossa portugalidade.

E aqui, em Cabo Verde – este país verdadeiramente irmão, com laços tão estreitos que é impossível distinguir-nos uns dos outros, aqui e lá, em Portugal e noutras paragens também, onde as diásporas portuguesa e cabo-verdiana se misturaram e se tornaram indistintamente uma só por laços de amor e de família – existe algo especial, mas intangível: um sentido de pertença, de integração. Começa na língua partilhada, estende-se à morabeza, encontra-se depois nas pessoas, nos aspetos inusitados e surpreendentes de encontrar Portugal em África, ecoando a África que encontramos em Portugal.

Dirijo, pois, uma palavra também às escolas portuguesas em Cabo Verde, projetos que desempenham um papel de charneira no ensino em Cabo e que contribuem, através do esforço dos seus muitos professores e restante pessoal educativo, para a promoção do ensino em língua portuguesa e da língua portuguesa que celebramos hoje como património e como “pátria” pessoana. Afinal, a nossa pátria sempre é a língua portuguesa: multiforme, multicolor, misturada e rearranjada em permanência - justamente por ser língua viva, vibrante e multicêntrica.

O relacionamento político, económico e cultural entre Portugal e Cabo Verde, na sequência de uma longa lista de iniciativas, encontra-se sempre em estreitamento e aprofundamento. Haverá, nesse contexto, que destacar a VI Cimeira Bilateral entre os nossos dois países, em Março passado, e que contou com a presença de Sua Excelência o Primeiro-Ministro. E, no contexto desta Cimeira – que foi muito profícua, com progressos marcados em diversos aspetos do nosso relacionamento – há a destacar a aprovação do novo Programa Estratégico de Cooperação para os próximos cinco anos, lançando o quadro para a cooperação portuguesa em Cabo Verde, representando um investimento muito significativo, com benefícios tangíveis e observáveis na vida dos nossos irmãos cabo-verdianos.

A isso se soma a presença de inúmeras empresas, de todas as dimensões, desde o pequeno comerciante ao maior grupo logístico, da distribuição e retalho à banca, que contribuem, todos os dias, com o seu trabalho para a criação de emprego, para o sustento de famílias e para a ligação entre dois países.

Termino com uma palavra dirigida à nossa comunidade, constituída por milhares de portugueses, sem qualquer diferenciação por se tratarem de portugueses de origem, naturalizados por permanência em Portugal ou por laços de sangue ou de amor.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades é o nosso dia – e é o dia em que abraçamos os nossos irmãos cabo-verdianos e festejamos com orgulho e alegria, em comunidade e na partilha da nossa língua e cultura comuns.

Viva a nossa língua portuguesa.

Viva Cabo-Verde! E viva Portugal!

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