EmbAAM

António Albuquerque Moniz

Embaixador de Portugal em Cabo Verde

 

 

Caras e caros compatriotas,

 

Comemoramos hoje e em diversas geografias, mais um Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Trata-se de uma data revestida de um grande simbolismo e que todos os anos é celebrada com elevado orgulho e forte sentido patriótico, em Portugal e por todo o Mundo.

Sei bem que as circunstâncias no presente ano são muito diferentes das vividas nos anos passados. Em 2019, Altas Individualidades do Estado português e de Cabo Verde celebraram o Dia Nacional com as nossas Comunidades, nas ilhas de Santiago e de São Vicente, assim reconhecendo o seu grande valor e o contributo que têm dado para o desenvolvimento económico e social em Portugal e em Cabo Verde, país irmão, não esquecendo ainda aqueles que têm a dupla nacionalidade.

Este ano, as ameaças ligadas ao novo coronavírus condicionaram irremediavelmente as comemorações do Dia de Portugal e puseram à prova a capacidade de todos os países recuperarem de uma grave crise que provoca grandes constrangimentos e coloca elevados desafios, não apenas aos aspetos relacionados com a saúde pública, mas também aos próprios fundamentos das nossas sociedades.

Infelizmente, em Cabo Verde, como em todo o Mundo, as Comunidades portuguesas, as Diásporas portuguesas, também têm sido afetadas. Mas estou muito confiante nas medidas tomadas desde muito cedo, pelas autoridades cabo-verdianas e portuguesas, com vista a dar uma resposta eficaz a todos os desafios que esta pandemia nos coloca.

Desejo, assim, dirigir uma palavra de esperança e de solidariedade a todos aqueles que estão a sofrer com as consequências do COVID-19 e assegurar-lhes que a Embaixada de Portugal na Cidade da Praia tudo fará, no âmbito das nossas competências e capacidades, para os apoiar. Foi com essa vontade e determinação que estivemos envolvidos, ao longo dos últimos meses, direta ou indiretamente, na organização de seis voos de repatriamento, que também serviram o nobre propósito de transportar para este país equipamentos médicos e medicamentos essenciais para combater a pandemia.

Em segundo lugar, gostaria de reconhecer com orgulho, que é sempre com um elevado sentimento patriótico que todos os portugueses celebram a memória coletiva do nosso povo, a sua história e cultura seculares que continua hoje como força viva e inspiradora dos valores da liberdade, da paz e da justiça social.

Essa força criativa e transformadora nas terras de acolhimento, das mais diversas latitudes, é também essencial ao desenvolvimento e ao progresso de Portugal e é vivida no espírito e no coração de todos e em cada comunidade no estrangeiro. Tenho tido a oportunidade e a honra, já nas minhas anteriores funções como Cônsul-Geral de Portugal em Paris, de conhecer esses momentos de especial vivência dos valores nacionais e a afetiva ligação a Portugal.

Muitos esforços têm vindo a ser feitos igualmente para garantir a proteção, o apoio e a valorização das condições de boa integração dos portugueses no estrangeiro. De igual forma, um grande empenho tem sido depositado para concretizar uma nova visão da importância estratégica das Comunidades portuguesas nos planos político, social, económico e cultural. Vamos continuar essas ações de grande relevância, mais fortes, unidos e solidários do que nunca.

 

 

Caras e caros concidadãos,

 

Dirijo-vos uma palavra especial de reconhecimento pela imagem muito positiva que têm sabido construir e que tanto dignifica Portugal. De múltiplas valências e saber-fazer constroem o vosso presente-futuro, num genuíno e dedicado compromisso também para com o desenvolvimento de Cabo Verde, por certo vosso de coração. O vosso espírito de iniciativa, aliado a uma extraordinária capacidade de diálogo e integração na sociedade cabo-verdiana; a vossa notável atitude cívica, empreendedora e dinâmica constituem, de facto, também uma importante dimensão das excelentes relações existentes entre os dois povos e os dois países.

No campo das relações bilaterais, continuaremos com Cabo Verde a consolidar este novo e mais desafiante Presente que, sem deixar de lembrar o Passado que nos une, nos deve inspirar para a construção de um Futuro coerente com a relação única e estratégica que alcançámos. Continuaremos a manter um diálogo franco e permanente sobre questões de interesse comum, incentivando-nos a explorar novas áreas de cooperação que sejam em si mesmas fator de modernidade e de competitividade mas que acima de tudo aspirem o desenvolvimento social da sociedade cabo-verdiana.

Os desafios da ordem internacional que têm assolado o mundo interpelam-nos, individual e coletivamente, a um renovado e assertivo sentimento de solidariedade nacional, sendo por tal, e mais do que nunca, necessário continuarmos a nortear a nossa conduta sob o auspicio da dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do respeito e salvaguarda dos direitos humanos, da tolerância, da não-discriminação e da justiça. Princípios e valores que fundam a República Portuguesa e, bem assim, os diferentes organismos multilaterais dos quais Portugal é país-membro.

Concluo, reiterando que todos poderão contar com o empenho dos serviços do Estado no apoio e na proteção consulares. Da parte desta Embaixada procuraremos continuar a garantir a eficácia na resposta e a proximidade no apoio aos Portugueses, conjuntamente com as múltiplas instituições da sociedade civil que, connosco, têm cooperado. Juntos, iremos conseguir ultrapassar todas as dificuldades e todos os desafios que presentemente se colocam!

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